Sábado, 11 de Agosto de 2018

Dark Side

Fui "obrigado" a ver os episódios VII e VIII de Star Wars de rajada. Já que tinha de ser, aproveitei para espreitar por uma frincha, a ver o que estava lá dentro, no coração do que vai de encontro aos nossos olhos. Aqui vai:

 

Como protagonistas a toda a hora, uma europeia, para ninguém dizer que é sempre a América, nem que existe uma clivagem sexista; um rapaz negro, para não haver cá separatismos de ordem racial; uma rapariga asiática, para os chineses que metem dinheiro não ficarem tristes ou boicotarem o filme a um quinto da população do planeta; um super-vilão 3D, feio como o caraças, que nunca ouviu falar de dentistas, apesar de ter mega-poderes; e, claro, Darth Vader reinventado, Chewbacca, startroopers e um dróide de 3ª geração que faz lembrar o R2, para não perder o vínculo aos antigos clientes. Dessa forma mantém-se as lendas vivas para uma nova fornada geracional de consumidores geeks. (Já nem falo de Han Solo, Leia e Luke...) Só faltou um casal gay, mas parece que esse assunto já estará a ser acautelado para a próxima vez. Pelo caminho, o fantasma de Yoda explica que o fracasso é o que define a totalidade do Mestre. Ou seja, todos os fracos, desde que rebeldes, são bons. Todos devemos de ser nivelados por baixo. Toda e qualquer fasquia, por menor que seja, serve.

"Entre mortos e feridos", salvou-se a personagem e a actuação de Adam Driver, o novo Vader, o que é gritantemente curto.

 

Mas, ao menos o filme escapa? Bem, o argumento é igual aos outros todos, como convém a telenovelas, sequelas, e à fixação de públicos-alvo. Há duelos com sabres de luz (check!), uma máscara que oculta identidade misteriosa que cai (check!), naves do bem e do mal a disparar umas contras as outras (check!), muitas explosões (check!) e "estrelas-da-morte" condenadas por um plano com 0,03% de hipóteses de vingar, que se concretiza no último segundo, e que ao explodir afocinham para baixo apesar de no Espaço haver gravidade zero (check!). Há até linhas do script que eu adivinho antes de serem ditas. (check a lot!) Sempre a mesma coisa, portanto. A velha máxima que diz que em equipa que ganha não se mexe.

 

Concluíndo, a saga SW, versão Disney-Milhões, assim como quase tudo em Hollywood é, não uma fábrica de sonhos, de boas histórias, de bons filmes a obter sucesso financeiro através da arte ou entretenimento, mas uma mega-fábrica de dinheiro e pressões de lobbies, que tem como missão agradar ao maior número de pessoas mudando o padrão cultural à boleia e às escondidas.

Neste sentido, é parecido com a CMTV, com a diferença de que esta última é mais honesta: É tudo às claras e só os tolos não sabem ao que vão.


Leão Perplexo às 13:06
linque do poste | mandar um bitaite

pesquisar

 

Novembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
13
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30