Quinta-feira, 22 de Março de 2018

Por Baixo da Ponta do Zuckerberg

"Mark Zuckerberg: "Temos a responsabilidade de proteger os vossos dados pessoais e, se não conseguimos fazê-lo, não merecemos servir-vos" - O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, reconheceu hoje "erros" e prometeu melhorar a rede social depois de ter sido revelado o uso indevido de dados pessoais de milhões de utilizadores pela empresa britânica Cambridge Analytica."

(https://24.sapo.pt/tecnologia/artigos/mark-zuckerberg-nos-temos-a-responsabilidade-de-proteger-os-vossos-dados-e-se-nao-o-conseguirmos-entao-nao-vos-merecemos)

 

Uma declaração tão breve e tanto para dizer. Ontem percebeu-se que, em dois dias, o moço perdeu em bolsa quase 1 euro por cada habitante do planeta. Está preocupado. Claro que fiquei cheio de pena. E comovido...

Mas que declaração tão choramingas. Um "vejam como sou tão solidário e humilde, tão bom rapaz. Vá lá malta, sejam meus amigos. Eu sinto a vossa dor." (Já estou a prever sequela no cinema.)

 

A t-shirt engana. Por trás de um bom rapazinho inteligente que só quer partilhar saber com o mundo, está um tubarão arguto prontinho a cravar o dente em mais qualquer estúpido que goste de pavonear férias ou pensamentos. Mas analizemos a declaração, palavra a palavra.

 

"Temos a responsabilidade de proteger os vossos dados pessoais..." - Não concordo. Empresa que muda a política de privacidade a cada actualização, deixando os utilizadores burros a descoberto até se aperceberem da marosca, não me parece uma empresa de boa-fé: Demarca-se. Não espero nada de bom ou de bem, portanto. Isso quer dizer que descartaram a responsabilidade. É o utilizador que sanciona e se responsabiliza, ao aceitar a linhas fininhas cheias de letras pequeninas que nunca se deu ao trabalho de ler.

E muito menos acho que me protejam. A antiga namorada dos tempos de universidade que o diga. A partir do momento em que quero "dizer ao mundo todo" quão bom sou, não devo esperar que seja o "mundo todo" que me proteja quando for hora do meu ego me entalar. Sou EU, o utilizador, em primeiro lugar, que tenho a responsabilidade de me proteger. A mim, à minha família, aos meus amigos, aos meus contactos, ao meu emprego e a tudo o que me envolve. Um amigo meu, informático, disse-me uma vez: "A internet é um lugar perigoso. Não tenho lá nada que seja realmente valioso." Tem razão e não esqueci. Se não gosto do risco de exposição, não alinho. Saio. Boicoto.

"... e, se não conseguimos..." - Se tirar o "se" concordo. E enquanto houver hackers, sempre concordarei.

"... fazê-lo, não merecemos... - Pelo contrário. Ao não conseguirem fazê-lo, e não conseguem, sendo o utilizador o responsável de depositar preciosidades nos servidores de gente de moralidade duvidosa, merecem-se bem. Reciprocamente. Feitos um para o outro!

"... servir-vos." - Uma pessoa que se tornou das mais ricas do planeta à conta disto quer fazer-nos crer que nos serve? Até a hipocrisia tem limites. Acho que é mais servirmo-nos de vocês, mas como ninguém obriga ninguém... Continuemos com o sub-título, o jornalístico.

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"O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg reconheceu hoje..." - Reconheceu? A palavra certa seria "admitiu". Toda a gente que pensa, nem que seja ao de leve, sabe deste tipo de práctica há mais de dez anos.

... "erros"... - Porque é que erros está entre aspas? Por ser citação? Na sua perspectiva não diria "erros". É mais fomos descobertos. Expostos. "Erros" é para inglês ver. Causa mais empatia e estanca a hemorragia financeira em bolsa.

"... e prometeu melhorar a rede social..." - Se não conseguiu (não quis) até agora, a única maneira de melhorar a rede (anti-)social, e a vida dos seus utilizadores, é a sua inexistência. Deixar de haver. (Assim seja!)

"... depois de ter sido revelado o uso indevido de milhões de dados pessoais..." - Não foi indevido. É tudo muito intencional. Se o Continente, o Pingo Doce, o Zé da Esquina e EU podemos fazer isso, não devo esperar, caso tenha dois dedos de testa, que o Partido Republicano americano, (ou Democrata, já agora,) não o faça à grande e à francesa. Nestes meios, a promiscuidade é tão colossal e óbvia, que aquilo que estou à espera é que, de facto, o faça.

 

Portanto, e se isto for o princípio do fim do pérfido livro das carinhas, só posso é dar um grandecíssimo like e esperar que não venha outra montanha qualquer (mesmo que seja de açucar) parir outro rato ainda pior que o primeiro...


Leão Perplexo às 15:01
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