Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Prémio Stromp

Correndo o risco de tornar este blog um blog sobre futebol, essa não é a ideia, de modo nenhum, não consigo passar ao lado desta transferência de Jorge Jesus por parte do Sporting sem "comentar".

Não é tanto Jorge Jesus, em si. Acho mesmo que ele é o treinador melhor em Portugal e um dos melhores do mundo (e já achava isto desde a primeira temporada de slb). E, se o seu coração sempre bateu verde e branco, (ao contrário de Simão que mudou de cor repentinamente, por exemplo) os adeptos avermelhados não deviam estar agora com queixumes. O contrato acabou, deu à "casa" o que devia dar (e como deu!) e é livre de fazer com a sua pessoa o que bem entender. Quanto a isto, nada a dizer.

Também não é o projecto, o que está em causa. Bruno Carvalho sabe o que quer e, se está certo ou não, quanto a aquilo que pretende, enquanto estratégia futebolística, só o futuro o poderá revelar. O que me transtorna um bocado é "a forma" e, mais especificamente, "o como" do presidente do Sporting, nesta história.

O Sporting é uma instituição centenária, ainda do tempo da monarquia, anterior a Manoel Oliveira e aos pastorinhos de Fátima, e de longe o clube com o melhor palmarés em Portugal. Formador de incontáveis atletas e cidadãos de referência, importa muito que se mantenha (aí sim, custe o que custar,) assente em valores que marquem diferença, no meio de um mundo que pouco se compadece deles. Mundo em que o dinheiro não tem cor nem se sabe muito bem de onde vem. Para que não seja igual aos outros a troco desta útil "cultura leonina".

Isto que fizeram a Marco Silva, gente de bem não faz. Stromp não faria.

Francisco Stromp.JPG

 

Ora, Marco Silva, com o que teve na mão, com um budget muitos furos abaixo dos seus adversários, fez uma época FENOMENAL, culminando num título grande, coisa não vista deste lado da 2ª Circular há sete anos. Sinceramente, irrepreensível. Ultrapassou a melhor qualidade que se lhe podia exigir. Nunca disse disparates. Quando atacado defendeu-se como pôde (e ao clube que representou), mostrou maturidade e humildade invulgares para alguém que ocupa o difícil lugar que ocupou. Soube aguentar o choro nos momentos maus e soube digerir as vitórias com a máxima alegria sem espezinhar terceiros. Enfrentou todos os adversários olhos nos olhos, com braveza e lealdade. Ele, sim, mostrando os valores centenários do clube. Concerteza, é dos poucos "na estrutura" que não merecia um fim assim. Os adeptos sportinguistas gostam dele, identificam-se com ele e por eles, tenho a certeza, continuaria de leme na mão.

 

Infelizmente, no mundo do futebol, vale tudo para chegar ao "sucesso". Mas, como costumo dizer, ganhar não é tudo. "Sucesso" para uns, é para outros algo bem diferente. Assim, é com pena que vejo em Bruno Carvalho um jovem Pinto da Costa. Não que sejam iguais ou mesmo parecidos. Mas em comum aquela obstinada força motriz radicada no ódio por alguma coisa que nos ultrapassa. Lamentavelmente, isso custar-lhe-á, no imediato, o respeito de planteis, dirigentes, e acima de tudo de adeptos. Se a hegemonia que o jovem Bruno Carvalho de sangue-na-guelra pretende para o seu clube é aquela que o acabado e amargurado Pinto da Costa de coração-esfrangalhado deu ao seu clube durante algumas décadas, atropelando todo o fair-play, honestidade e savoir-faire, então o melhor é eu mudar de clube. Era isso que Stromp faria.


Leão Perplexo às 14:53
linque do poste
2 bitaites:
De Celso Soares a 4 de Junho de 2015 às 18:22
Concordo, e como se não bastasse, BC avança com um despedimento por justa causa?!

Acho que a maioria dos benfiquistas está agradecida a JJ, há claro uns abutres que aproveitam para dar as suas bicadas. Não falo por todos, mas fico agradecido pelos troféus conquistados por JJ, e pela estrutura que deixa montada.

BC mostra-se ainda pior do que imaginava, isso é certo. É um tipo perigoso.


De Leão Perplexo a 5 de Junho de 2015 às 09:44
É curioso usares o adjectivo "perigoso". Isso é o que eu penso sobre esta presonagem há muito tempo.
Quanto à "justa causa" por causa dum fato não-oficial, isso é verdadeiramente um tiro no pé: é assumir, sem querer, que não há rigorosamente nada a apontar.


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