Sábado, 14 de Julho de 2018

Quando Não se Aprende com as Cabeçadas dos Outros

A "Crise da Bolha" nos Estados Unidos rebentou em 2008. Já lá vão dez anos. O problema na origem, num complicado esquema universal em cadeia, para não entrar em detalhes, foi a especulação imobiliária e provocou um tsunami económico que varreu o planeta. Colateralmente, só para mencionar aqui perto, Grécia afundou por muitas dezenas de anos, hipotecando o seu futuro. Portugal, Irlanda, Itália, Espanha e Islândia por pouco não afundaram junto. Mais uma vez convivemos de perto com a austeridade dos Mercados; dos governos; FMI, sendo que um dos maiores problemas se revelou, como era de esperar e sem surpresas, a Dívida Externa.

Hoje, passado o pior bocado, (a ver vamos...) Lisboa, Cascais, Porto, especificamente, e toda a urbe, de um modo geral é, pura e simplesmente, inatingível para o bolso médio. Os preços voltaram, não ao que eram, mas a preços ainda mais altos. A dívida externa é hoje maior do que era durante a "austeridade" e os empregos são ainda mais incertos e percários que antes, qualquer que seja a desculpa das estatísticas de desemprego de políticos na habitual tentativa de tapar o Sol com uma peneira.

Aprendemos alguma coisa com o legado que a que a "Bolha" nos deixou?... Não.

 

A cultura japonesa, há décadas que sabemos, pioneira do uso de gadgets e lazer virtual, está a tornar-se uma amálgama social para a qual não há forma de desintricar solução. Com cerca de 130 milhões de habitantes, o Japão apresta-se a ter menos 30% dessa população em 2060, sendo que por essa altura, em cada 10 pessoas, 4 terão mais de 85 anos de idade. Lá, os robots e outras parafernálias electrónicas, fazem parte da convivência social, lembro-me bem, desde os anos oitenta. Deixou de se gostar de cortejo. O afecto levou, ao longo do tempo, uma machadada na raíz. Pelo menos o suficiente para se querer começar uma família ou querer ser-se desafiado a cruzar manias ou personalidades. O artificial não-empático gerou desapego pela relação, e medo de olhar "o outro" nos olhos. Os laços desapareceram.

Aqui, deslumbrados pela importação de bens de consumo que nos confortem das nossas misérias, não paramos de presentear a próxima geração com compensações electrónicas. Achamos graça. Características como paciência, respeito mútuo e resiliência nunca foram tão pouco populares ou raras.

Aprendemos com o exemplo do país com o mais alto QI do planeta?... Não.

 

O mundo anglo-saxónico, pioneiro ocidental de novos costumes e cultura, líder de viragens sociais hollywoodianas de influência global, enfrentam em banho-maria uma óbvia erosão, para não dizer auto-destruição da família, logo, do "tecido social". "Sociedade decadente", uma expressão com décadas de existência, parece nunca ter feito tanto sentido como nos dias em que vivemos e a velocidade dessa tendência não parece querer baixar, mas sim aumentar. Nunca houve tantos profissionais na área da psicologia.

E o que fazemos aqui? Copiamos, vamos na onda. Não hesitamos em clonar experiências cujos resultados estão bem longe de terem provado serem bons ou, sequer, aceitáveis. É o oposto: banalização de divórcio; normalização de "casamenos mistos"; e massificação do aborto, só para mencionar alguns temas mais emblemáticos ou polémicos, parecem fazer-nos caminhar mais para um bêco sem saída da consciência global do que para o cumprimento da promessa de um mundo mais livre.

Então, o que aprendemos com o exemplo de meio século de laboratório social dos outros? Nada. Não aprendemos nada. Estúpidos... Não obstante as evidências, parece que estamos mesmo condenados a bater com a cabeça na parede.


Leão Perplexo às 11:03
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