Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Regresso ao Futuro

Há vinte e muitos anos éramos mais. Mas não interessa. No meio de labirintos, chamaram-nos a Geração de Ouro. Dezenas, se não centenas, olhavam de fora e queriam ter o que tinhamos. Mães e pais preocupados com os filhos desejavam que fôssemos os seus melhores amigos. Éramos os jovens de umas igrejinhas pequeninas. Ao contrário da maioria, acabávamos por nos dar sempre bem, apesar das incríveis diferenças. As coisas eram assim porque havia algo que nos unia. Uma cola invisível. Algo muito mais forte do que a própria vida.

Mas os anos passaram. Naturalmente, crescemos, mudámos de vidas, expandimos ou definhámos a alma para outros quadrantes, como sejam os amores, carreiras e outras coisas finitas dessas. Sim, naturalmente.

 

E um dia a Dora telefona-me. Alguém se lembra freneticamente de juntar tudo outra vez. E lá fomos. As mesmas pessoas, o mesmo sítio, os mesmos morcegos, exactamente o mesmo Sol de torrar para beber um simples café. Um puzzle para montar e ganhar vida. Pedra a pedra, galho a galho, fosso a fosso, até construir de novo o castelo.

 

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Não há mais nada que nos atrapalhe. Apesar dos cabelos brancos, das dores nas articulações, rebanhos de crianças e carros com mais músculo, os espíritos permanecem selvagens. O estádio de matraquilhos continua à pinha e as multidões vibram a cada golo. O Vento ainda sopra como soprava, assim como permanece o barulho das folhas, esfregando-se umas nas outras.

Ao olhar nos olhos daqueles miúdos e miúdas da minha idade, está tudo inalterado, como fatal prenúncio de vida eterna. Não há nada mais forte do que aquilo que nos une.

 


Leão Perplexo às 08:54
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3 bitaites:
De Chic'Ana a 14 de Julho de 2017 às 09:10
E que hajam muitos reencontros assim.. que haja sempre um factor de união!
Beijinhos


De Pedro a 15 de Julho de 2017 às 09:03
Sim, "nada há mais forte do aquilo que nos une". Dias abençoados, os de Montargil. Agora, que é tempo de digerir, de assimilar, o que lá se passou, este fulcro da união é uma evidência que se impõe.


De Mário a 15 de Julho de 2017 às 15:20
É verdade. Aquilo que nos une é bem forte. E é tremendo que neste momento nem é só aquilo que nos uniu e nos une, mas que se reflecte na nossa descendência, na descendência de muita desta união. Abraço


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