Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

Sonho de Natal

Dia de Natal. Durmo mais uma hora do que aquilo que é hábito. Sempre que durmo um pouco mais, sonho um pouco mais. Em geral, nunca me lembro daquilo que sonhei, ainda que o possa ter feito a noite toda. Mas desta vez, como em todas as que têm mais minutos de sono, lembro-me de tudo perfeitamente. Vividamente. Como se os minutos de sonho a mais correspondessem em sobreposição ao tempo de acordado e assim, consciente, os vivesse mais reais e presentes.

 

Lembro-me de entrar na escola de cidade que nunca antes vi. Havia pessoas para lá e para cá. Para lá e para cá procurei os colegas que desconhecia, mas não encontrei. Fui à secretaria, a fim de procurar um horário e com isso perceber a sala onde deveria estar. Ninguém. A secretaria vazia. Os tempos de espera. Os silêncios. Os ecos. Os barulhos normais dum edifício, ao longe. Umas escadas laterais de corrimões desafogados para uma cave espaçosa, toda envidraçada de luz natural. Lá dentro um camião com as cores da Martini e árvores do lado de fora. Não desci. Saí do edificio pela mesma porta por onde entrei. Mais alunos cá fora. Adultos. Nuvens no céu e até gaivotas ou pombos a voar ao longe. Árvores perto dos edifícios ao longe. Algum vento e um pouco de frio.

Não encontrei colegas. Senti-me meio perdido ou ligeiramente baralhado, o que é uma sensação complicada até de descrever. Volto à secretaria, com boa iluminação solar nos guichets. Agora, duas senhoras a atenter e duas ou três pessoas para serem atendidas. Espero a minha vez, que chega rápido. Assim que olho para trás, já há uma pequena fila de gente. Alguns conversando, placidamente. As duas empregadas de meia-idade, mexiam em papeis ao mesmo tempo que esperavam a reforma sem dar conta. Peço um pequeno horário com muitos números e cores e consulto-o. Nem sequer tenho aulas naquela escola... Fico indignado com o erro. Respeitosamente, calmo, barafusto. Chego a conclusões e dialogo com as senhoras que estão a atender. A primeira, magra, que me atende, de cabelo apanhado por cima da cabeça, compreende, alinha na minha causa, mas não se quer comprometer. A rechunchuda nem entra na conversa. Não se compromete nem quer saber. Preparo-me para sair dali.

 

Fico pasmado com a nitidez e credibilidade de todos os detalhes. O decorador de sonhos, o autor dos props, deu o litro. Deixou-me com a respiração da realidade por não haver nada que fosse extraordinário, como é tom do onírico. Não dei conta que tudo era de outro mundo até o som da Vandinha a puxar a cortina do chuveiro me acordar.


Leão Perplexo às 10:17
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1 bitaite:
De João Leal a 2 de Janeiro de 2018 às 14:22
Um camião com as cores da Martini numa cave...muito bom!


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