Sábado, 30 de Junho de 2018

Um Pedido de Desculpas ao PAN

Gosto muito de animais. Felizmente, para mim, a minha mais-que-tudo também gosta de bicharada, pelo que não só temos dois cães e uma molhada de gatos como, por inerência, ela gosta de mim também. O que é excelente.

Logo, tenho a mania que não aceito lições de pessoas que me queiram ensinar a comportar perante animais ou como devo tratá-los. Por isso, e por causa da história que se segue, acho que devo aqui um pedido de desculpas ao PAN, visto que ainda noutro dia lhes enviava impropérios carregados de ironia.

 

Na noite passada, estava eu a dormir um belo sono restaurador, por ter de me levantar cedo, e acordo lá pelas cinco da manhã com um zumbido nos ouvidos. Não era para menos. Um mosquito do tamanho de um pequeno elefante decidiu espatifar o final das minhas parcas horas de sono, levando-me à tortura pela falta de descanso. Acabei por me levantar, acender a luz e tentar procurar o vil animal. Avisto um insecto no friso do tecto e zumba! Cuecas para cima! Errei. Quer dizer, errei no animal. Na pouca luz matei uma pobre aranha, cujo único crime foi estar à hora certa no sítio errado. Logo eu, que gosto de aranhas. Voltei a tentar dormir, mas sem sucesso. Nem uma ida ao mictório me ajudou. Deitei-me e tudo o que sobrou foi calor, dor de cabeça e mais zumbidos. Finalmente, e após uma análise auditiva com verdadeira percepção, uma estalada na minha própria cara de barba por fazer arrumou com a questão. Coberto do meu próprio sangue acabei com a história, para perceber minutos mais tarde que o chato do animal trouxe um companheiro de aventuras. Mas esse conseguiu escapar.

Bem, contas feitas, sono ou não, liquidei dois animais numa noite e um deles era inocente. Pelo que me dou por culpado, não só de insecticídio, como também de arrogância, por achar que "sou bonzinho para os animais". Tenho é sorte de o assunto ainda não ter ido à Assembleia. Se fosse, enfrentava aqui uma moldura penal de uns 7 a 12 anos a ver o Sol aos quadradinhos. (Visto as atenuantes e bom comportamento.)

Desculpa, PAN.

 

Por outro lado, e quanto a idas ao restaurante com os meus animais, devo dizer que os gatos não mostram interesse e apenas as baratas das imediações de casa gostariam de ser levadas a comer fora. Mas levá-las-ia à socapa, só para ver o que acontecia. Elas não fazem julgamentos nem têm más intenções. Querem é encher a pança discretamente. 

Todavia, tal como os gatos, isso de ir a restaurantes não é negócio para os meus canídeos. A razão é que, enquanto não legislarem que tipo de animais lá podem entrar, estamos mal parados. Explico: antigamente havia letreiros no interior dos estabelecimentos a dizer "Reserva-se o Direito de Admissão". Mas depois, passámos a ser um país democrático e, graças à cultura inclusiva em que vivemos, toda a laia de gente se viu no direito (e dever, para mal dos meus pecados) de entrar onde bem entende. Isto quer dizer que nem todos os animais podem lá entrar para fazer com simplicidade aquilo que mais gostam: dar ó serrote! Porém, qualquer troglodita que dê puns, arrote e trate mal os empregados, pode! Qualquer família inteirinha pode estar a noite toda, cada um no seu espertofóne, dando cabo da sua vida em silêncio que ninguém a põe fora ou a leva presa. Mas se o meu cão, na sua perfeita lógica natural, rosnar a um labrego que se aproximou negligentemente do seu osso, temos o caldo entornado e ainda tenho de ser eu, que apenas comia tranquilamente tofu fumado com esparguete de seitan au orégãos, a pagar a multa.

Naaa... a mim não me apanham em restaurantes com os meus amigos de quatro patas. Custou muito educá-los. Não quero que os selvagens dos humanos influenciem o exemplar comportamento dos meus animais!


Leão Perplexo às 19:43
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